Semana Arquidiocesana do Dízimo reforça dimensão evangelizadora da pastoral
Formações para padres e missionários abordaram sustentabilidade, acolhida, pertença e o papel dos agentes na missão da Igreja

Participantes do encontro realizado no fim de semana. Foto: Pastoral da T.I. da Paróquia São Francisco
A Semana Arquidiocesana do Dízimo, realizada de 5 a 13 de setembro pela Pastoral do Dízimo da Arquidiocese de Santarém, reuniu padres e missionários do Dízimo em momentos de formação na Paróquia São Francisco de Assis, no bairro Caranazal. As atividades foram conduzidas por Jean Ricardo, diretor da Dominus Evangelização e Marketing, que esteve pela primeira vez em Santarém para participar da programação.
A formação com os padres ocorreu no dia 11, pela manhã, e abordou captação de recursos para as paróquias, planejamento de receita e sustentabilidade evangelizadora.
Mais tarde, à noite, a formação foi destinada aos missionários do Dízimo e teve como abordagem a paróquia como lugar de acolhida. A proposta partiu de uma questão fundamental para a atuação da pastoral: compreender que o trabalho dos agentes não se resume à contribuição financeira. “É muito importante que os agentes do dízimo entendam que eles não são cobradores de impostos. Eles são evangelizadores”, afirmou.
A programação continuou no fim de semana, 12 e 13 de setembro, com a abordagem da prática pastoral do Dízimo. Para Jean, os desafios encontrados pelos agentes precisam ser enfrentados a partir de uma preparação que os ajude a compreender melhor a própria missão.

Jean Ricardo durante formação realizada na noite do dia 11 de setembro. Foto: Ascom Arquidiocese
A importância da formação
Ao falar sobre a importância de promover momentos formativos para os missionários, Jean destacou que a própria natureza da vida pastoral exige uma formação contínua. “O dízimo, a vivência da pastoral do dízimo ou de qualquer outra pastoral exige discípulos e apóstolos. É próprio do apóstolo, é próprio do discípulo ser formado”, explicou.
Ele também relacionou o crescimento na formação ao amadurecimento dos próprios agentes. Para isso, utilizou como referência a passagem bíblica que apresenta Jesus ainda criança.
“O menino crescia em sabedoria, estatura e graça. A gente precisa olhar para o povo de Deus nessa perspectiva. O menino precisa crescer em sabedoria, estatura e graça. Como é que o agente cresce em sabedoria, estatura e graça? Quando ele é formado”, afirmou.
A qualidade dessa formação também foi apontada por Jean como um fator importante para estimular a participação dos agentes. “Eu falo que o interesse das pessoas pela formação não existe quando as pessoas vão para a formação e essa formação não tem qualidade. Mas, quando a formação tem qualidade, eles vêm, eles têm sede.”
A realização de uma formação como a promovida pela Arquidiocese envolve, ainda, um investimento que passa pela organização, pelos recursos materiais e financeiros e pelo trabalho de diferentes pessoas. Jean destacou esse esforço ao avaliar a iniciativa realizada em Santarém.
“A formação é importante, não só de colocar em prática isso, mas de investir, colocar recurso financeiro, colocar recurso material. Tem um monte de gente trabalhando para que uma formação como essa aconteça. O esforço de investir na formação é formar um povo para um legado evangelizador também.”

O assessor parabenizou a Arquidiocese por promover formação aos missionários do Dízimo. Foto: Pastoral da T.I. da Paróquia São Francisco
O Dízimo como expressão de pertença
Durante a formação, Jean Ricardo também chamou atenção para uma compreensão que considera fundamental na Pastoral do Dízimo: o sentimento de pertença à comunidade.
“A primeira coisa que a gente precisa deixar claro é que dar o dinheiro à Igreja é uma experiência de alguém que pertence a ela. Não existe para nós dizimistas quem não faça parte da comunidade. É preciso entender que o sentimento de pertença precisa existir”, destacou.
Essa perspectiva também está relacionada à maneira como a experiência do Dízimo é apresentada. Para Jean, a contribuição não deve ser compreendida como um meio pelo qual a pessoa chega à experiência com Deus. “Me incomoda muito quando as pessoas falam assim: ‘Ah, fazer a experiência do dízimo’. Não é sobre fazer a experiência do dízimo que eu vou encontrar Deus. Eu primeiro encontro a Deus para depois fazer a experiência do dízimo”, afirmou.
A partir dessa compreensão, o assessor questiona uma atuação pastoral que tenha como preocupação principal o dinheiro que será arrecadado. Para ele, a prioridade está na evangelização.

Encontro enfatizou a paróquia como um lugar acolhida. Foto: Ascom Arquidiocese
“Nós não temos que pedir dinheiro para ninguém. Nós temos que evangelizar as pessoas. Eu sempre falo: se a gente vive uma vida na igreja preocupado com o dinheiro que está no bolso do outro, a gente é mercenário, não missionário.”
Jean também destacou a dimensão do cuidado como parte da identidade da Pastoral do Dízimo. “Uma pastoral do dízimo que se preza e que tem a sua identidade missionária concreta, ela vai primeiro cuidar da pessoa”, afirmou.
Na sequência, reforçou a diferença entre cuidar da comunidade e simplesmente administrar as contribuições. “Então, ela não cuida do dinheiro das pessoas, ela cuida da comunidade.”
O missionário como evangelizador
Essa compreensão está diretamente ligada ao papel dos agentes que atuam na pastoral. Ao falar sobre a missão dos missionários do Dízimo, Jean foi direto: “A missão deles é evangelizar, a missão deles é cuidar das pessoas.”
Por isso, o agente não precisa ter como centro de sua atuação a abordagem sobre dinheiro. O serviço pastoral envolve acolher, orientar e estar disponível para quem procura a comunidade. “Você não precisa falar de dinheiro, você precisa evangelizar, você precisa ajudar as pessoas, cuidar delas, atender bem, ser sinal de Deus.”
Jean exemplificou essa atuação a partir do serviço realizado nos plantões do Dízimo. Mais do que receber a contribuição, o agente precisa conhecer a dinâmica da comunidade para poder orientar e acolher.
“Estar num plantão do dízimo não é sobre você saber como receber o dinheiro, mas é sobre saber o horário da missa, quando o padre confessa, se eu estou sofrendo, como que eu posso ir à igreja para receber acolhimento.”

Missa de abertura da Semana do Dízimo na Paróquia Sagrada Família: Pascom Sagrada Família
O fortalecimento do Dízimo, porém, não depende exclusivamente daqueles que integram a pastoral. Na avaliação do assessor, a atuação das demais pastorais e serviços da comunidade também interfere diretamente nesse processo.
“E, para quem não é da pastoral do dízimo, saiba que você também tem um papel importante na arrecadação do dízimo. Quando a catequese funciona, quando a visita do doente funciona, quando a pastoral da acolhida acolhe, quando tudo isso funciona, aí sim a pastoral do dízimo vai conseguir ter resultado na arrecadação.”
As reflexões propostas durante a Semana Arquidiocesana do Dízimo apontam, assim, para uma compreensão que ultrapassa a dimensão financeira da contribuição. As formações destacaram a relação entre fé, pertença e compromisso com a comunidade, colocando o cuidado com as pessoas e a evangelização no centro da missão da Pastoral do Dízimo.
Semana do Dízimo
A Semana do Dízimo teve início no dia 5 de setembro, com a Santa Missa de abertura na Paróquia Sagrada Família, no bairro Aeroporto Velho. Ao longo da programação, paróquias e áreas pastorais da Arquidiocese de Santarém desenvolveram atividades em sintonia com a iniciativa, além da participação nos encontros de formação assessorados por Jean Ricardo, diretor da Dominus Evangelização e Marketing.


Fotos da Missa: Pascom Paróquia Sagrada Família


Fotos da formação: Pastoral da T.I. Paróquia São Francisco
Foto: Ascom Arquidiocese
Texto: Ascom Arquidiocese
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